“Torna te quem tu és!”: Um celular?

March 24, 2009

 

Quando Luli Radfaher falou sobre o Arduino, muito da gauchada presente no ultimo F5[1]deve ter ficado meio teatina querendo saber de onde esse vivente foi catar essas coisas.  

 

 

O fato é que, embora, Luli seja na realidade um holograma projetado aos dias atuais de seu R2d2 do ano de 2050,  não estava querendo impressionar fazendo pura futurologia.

 

Falava sobre customização molecular. Não queremos ter um smartphone. Queremos o nosso smartphone.

 

Projetos como o Arduino ou o a idéia dos spimes, que Bruce Sterling imagina no livro Shaping Things, falam de tecnologias que migram para o hardware o que os softwares já vêm fazendo há muito tempo.

Dizemos ter um Facebook, enquanto que, na real, temos um perfil lá. Dizemos: Me cola aí teu Orkut. E recebemos uma imagem do ego do sujeito.

Produtos ditos “conscientes” são revolucionários quanto ao impacto que causaram nos processo de produção praticados hoje.

Mas tenho a impressão que não entregam maior sensação de pertencimento á rede social que um set no Igoogle, uma rádio no Last, meu Myspace ou mesmo meu AllStar com a imagem de Nossa Senhora das Graças pintada a mão.

[1] Que foi promovido pela Agadi em fevereiro.


Tocando posts no ventilador!

March 19, 2009

No ultimo FOE 1, Henry Jenks criticou o termo viral. Trocando em miúdos, disse que tinha conotação pejorativa pois algo viral depois de adquirido era refutado o mais depressa possível. Além do que, o “infectado” fica passivamente sujeito a informação.

Segundo Jenks uma mídia eficaz exige um grau de envolvimento maior que o necessário para o simples encaminhamento. Acabou cunhando um novo termo: spreadable, ou espalhável. E disse mais: Se não for espalhável não serve pra muita coisa.

É… . Mas, será que tudo que é espalhável serve realmente pra algo além de encaminhar?

Tenho a impressão que Jenks deveria anexar ao novo termo o adjetivo idiotizante, ou idiotável. Ou algo do gênero.

Isso porque boa parte da rede hoje se comporta como um grande ventilador que recebe colheradas recheadas de idiotices2. Assim sendo passamos boa parte do tempo “tocando bosta na internet”.

 

Isto sim; é expalhável!

1- Futures of Entertainment  3 que ocorreu no MIT no último outubro.

2 – Isto não exclui este texto.


MIT – Mythological Institute of Trends

March 6, 2009

Curto muito consumir publicidade. Todo o dia varro meu agregador com tudo que pipoca em Londres, Argentina, Dubai, Holanda, Colômbia… .

Não faço pra catar referencias. Tenho convicção de que isso me deixa mais esperto, desenvolve minha capacidade de síntese e assim fico mais suscetível a insights. Mas definitivamente a publicidade não me ensina a pensar em profundidade.

Um bom exemplo disso é o episódio 23 do Magaiver – Profissão perigo. Aquele em que nosso herói bola uma mina terrestre com um spray de AXE e uma Havaiana azul.

Provavelmente o que livrou sua pele dos russos não foi ter jogado o The Dark Temptation ou saber qual é a sandália que todo mundo usa. No aperto; é bom ter uma boa bagagem de referencial teórico, horas de estudo da tabela periódica1 e, às vezes, até a tabuada ajuda a concatenar dados e bolar algo criativo e principalmente eficiente.

Deve ser por isso que tanto tem se escutado MIT , (Mythological Institute of Trends ), pra cá e Inter-Meios pra lá. Sitesinhos cool e Archives, (Archaics), pasmem, não solucionam mais tudo.

Muita gente incorporou a instantaneidade da web esquecendo que a busca por chamar atenção nesse meio pode ser bem complexa. Estamos falando em medir, interagir, testar, furungar, engajar-se… . Ou seja, buscar respostas e não mais sacadinhas.

Também não é no camalhaço de feeds, blogues e twites que estão todas as respostas. A internet nos enfia goela a baixo o agora nos fazendo esquecer que muitas das respostas estão bem descritas e registradas no passado:

“Essa nova democracia teria a forma de um grande jogo coletivo, no qual ganhariam (mas sempre provisoriamente) os mais cooperativos, os midas urbanos, os melhores produtores de variedade consonante… e não os mais hábeis em assumir o poder, em sufocar a voz dos outros ou em captar as massas anônimas em categorias molares.” (LEVY, Pierre. A inteligência Coletiva. P. 67)

Taí o freemium. Descrito há 6 anos.

 

 

1- Tá bem. Nessa eu exagerei. Mas Pareto, por exemplo, safou  Chris Anderson, pelo menos, até a Anita Elberse cortar sua cauda.


Imagem corporativa na web

March 3, 2009

Continue fazendo grana Google! Todos nós agradecemos!

October 7, 2008

Eu contei. Contei quantas vezes tive contato com a marca Google em uma tarde de trabalho. Foram 37 vezes que abri o Chrome, usei 15 vezes o buscador e escutei 4 vezes:”Põe no Google!”. Só nesse texto já usei 6 vezes a palavra Google, (Ops! Mais uma vez!).

 

Ao assistir a animação promocional do Project 10100 bolada para comemorar seus 10 anos, o que mais me chamou atenção foi a ausência de sua célebre assinatura. No final do vídeo aparecem só o título do projeto e a altruísta frase: “May Those Who Help The Most Win”.

 

Pode-se argumentar que todo mundo já sabe que o vídeo se trata de mais uma sacadinha Google e que assinar o trabalho seria desnecessário. Pode até ser. Mas, sem julgo de mérito à iniciativa, acredito que este detalhe seja mais uma estratégia visando agregar associações diferentes à marca, do que um mero descuido. A ação quase anônima carrega certo ar de “Dar, sem pedir em troca”. Outro exemplo desse posicionamento, “do bem”, é o blog Too, de Sergey Brin, falando sobre problemas de saúde em sua família.

 

Marcas de tecnologia angariam equity com pesquisa, inovação e design. O Google está buscando adquirir um mind share diferente da concorrência.

Se marca é tudo aquilo que seu nome remete ao consumidor. O Google busca associações que vão além de: sistema de busca, informação, rapidez, tecnologia e todo o léxico de palavras, das quais, nosso cotidiano já está saturado

Essa surpreendente estratégia de posicionamento se torna ainda mais meritória ao transformar um caso de super exposição de marca em um canal para disseminação de valores úteis para a sociedade.

 


Marcas são grãos de areia na tempestade do rush.

October 3, 2008

Assisti um dia destes um vídeo onde Kotler fala em aprisionar nanosegundos da atenção do consumidor ao mesmo tempo em que falava de experiência de marca. Deste contraponto, entre apresentar-se e dizer pra que veio em uma fração de tempo tão ínfima, surgiu a idéia de transportar este desafio para a internet, onde os recursos presentes no espaço físico, (texturas, odores, gostos, luzes, seres humanos…), estão ausentes.

Exemplos de pontos de venda que se esforçam para preencher a enorme lacuna existente entre o querer e o pagar para ter fornecendo ao consumidor um ambiente coeso com o posicionamento adotado pela marca não nos faltam. E colecionar ações web que forneçam uma experiência on-line de qualidade e que pelo menos não contenham somente interações puramente reativas tem sido minha diversão predileta.

Das ações web voltadas a gerar esse tipo experiências, a que mais me chamou atenção ultimamente foi o Jogo da Verdade Sprite, desenvolvida pela RMG. Além de presentear o visitante com uma seção do momento mais esperado nas festas adolescentes, o joguinho de certa forma brinca e tira proveito do aspecto anônimo da web. Se o barato de girar a garrafa na vida real é obter a verdade nua e crua, quanto passamos isto para um ambiente onde o anonimato impera o resultado é um experimento que usa as regras tradicionais da brincadeira, porém temperado de um despojo e descomprometimento muito maior. E ainda tem tudo a ver com o “As coisas como são”.

Se as marcas hoje são grãos de areia voando na tempestade de informações da rede, as que conseguirão ser percebidas por um pouco mais que alguns nanosegundos serão aquelas que acertarem o olho do consumidor.


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